Depois de incansáveis noites de insônia, dormiu o sono dos justos, mas levantou-se pronta para botar fogo no mundo. No pensamento martelava a frase de Albert Einstein –“Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo estado de consciência que o criou”.
Novo estado de consciência... Novo estado, [re] pensou. Lembrou-se do Carvalho. Carvalho... Pau que dá em doido... Seus pensamentos eram marretadas tão duras quanto à própria natureza do Carvalho, pensou.
Sentiu vontade de defenestrar os frutos desta “árvore”, desta [in] consciência. Levem de volta suas bolotas, landes vazias de sentimento e sorte, bradava interiormente. Mas como? Zumbidos e sussurros incitavam a mente atormentada por seus fantasmas...
Tonta, sem ar, buscando calmaria, olhava em pânico a chuva que caía torrencialmente a sua volta... No capô do carro, no para-brisa, na grama, no asfalto, no lago, na alma. Água por todo lado.
Lágrimas... Novas poças... Outras águas... Podia ouvir, ainda que as janelas tivessem fechadas, os uivos do vento, do passado, da alma, da dor, das novas águas. Tudo embaralhado.
Carros, quartos, portas, janelas, telhas, águas, poças, trovões, relâmpagos... Silêncios, grito abafado, infância roubada, inocência perdida, medo... Uivo de lágrimas, uivo de águas.
Outras vozes... Sons do presente, sons de ordem, decisões, cura, vontade. Outras águas...
Decisões e novas angulações começaram a surgir com ferocidade e passaram a ser regurgitadas de suas gavetas interiores, de seus arquivos secretos, de suas estranhas de silêncio, de suas cavernas de angústias e verteram águas...
Antes de abrir os olhos, decidiu: vou causar, vou tocar o terror, vou pintar este céu cinzento com tons de amarelo, laranja e vermelho porque a boca quente é viva, é vibrante, e é ávida por justiça.
Porque a boca viva decide, rompe silêncios... Porque a boca viva é boca apaixonada, é boca rubra, é boca que pincela de rubi tudo que toca. Porque a boca viva é inclusive e, sobretudo, a que rompe o céu glacial da terra. Porque o sol que arde depois das águas é também o sol do céu das bocas borradas de paixão.
Que belo texto, a tua percepção do “ao redor” é poética! Gostei muito do que li.
ResponderExcluirObrigada, Guinho. Uma opinião de um poeta como vc me deixa honrada. Bj.
ExcluirObrigada, Guinho. Uma opinião de um poeta como vc me deixa honrada. Bj.
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