segunda-feira, 25 de novembro de 2013

#Questãodetempo

Passei o dia em cólicas a espera da hora de pelear. Sem armas, de mãos vazias, sem movimentos bruscos. Apenas amotinada na relva escura do espaço cibernético...Observando, espreitando. 

Navegando...navegando...Navegando.

Eu, apenas um rosto anônimo, com as tripas em chamas. Eu, a todo vapor, seguindo em frente com o sangue esticando veias e vasos. Eu, solitária, navegando em águas revoltas, quase náufraga...

Fui desclassificada. Imperícia técnica, disse o juiz!!

Mas tudo aquilo, todo aquele esforço, era apenas para cumprir uma etapa da regata da vida. Tanto esforço pra nada. Havia força na remada. Mas ainda não havia técnica suficiente, sentenciou meu instrutor.

Aborrecido e diante do meu fracasso, ele apenas virou -se sobre os calcanhares e saiu do cais. Não olhou para trás, não se despediu. Apenas sentenciou:

"deixemos as coisas esfriarem, por enquanto. Afinal, em nenhum momento eu te disse que esta vida que escolhi era fácil e que sim...deveríamos ter estomago para fazer nosso trabalho. Mas, agora, percebo que eu errei em pensar que você poderia... suportar".

Sim, pensei, eu posso suportar, professor. Posso remar até que minhas mãos sejam moídas. Mesmo que elas encham de bolhas e sangre. Tenho consciência de que não é fácil. Uma rajada de vento, uma onda mais alta, um erro... E o barco pode virar...posso ser arrastada pela correnteza.

Mas saiba professor que o senhor pode até nem mais querer me ensinar. Mas eu vou atravessar a linha de chegada em primeiro lugar. Nem se sente. Por favor, fique de pé. Vou vencer. É uma questão de tempo. Pouco tempo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário