terça-feira, 12 de novembro de 2013

TURBULÊNCIA

Por Patrícia Leite  [   5 de novembro de 2013     ]

Sejam bem vindos ao solo dos que terminam a viagem íntegros,  apesar dos desastres


A consciência parecia deslizar em uma banheira de espumas. Vez ou outra, as bolhas estouravam e a carcaça sacudia de um lado para outro, despencava, afundava veloz e aterrorizantemente para logo depois emergir.

Era possível ouvir os gritos de terror daquela alma aflita.  A zombaria de suas crianças interiores pareciam salpicar de pânico tudo em sua volta. Era tudo caos, mas também esperança.

Aquele ser tinha uma bagagem pesada, rodinhas não iriam facilitar o transporte de seus pertences de um lado para o outro naquela estrada.

Mas, apesar do que trazia na bagagem: alegrias e tristezas, perdas e ganhos, derrotas e vitórias, paz e guerra e toda a sorte de sentimentos contraditórios, ela sabia que o importante foi quem esteve com ela durante todo o percurso.

Não há questões impossíveis, ponderou. Há missões bem ou mal sucedidas na condução das resoluções do grande voo que é a vida. Um só comandante para uma grande tripulação. Sim, haverá turbulências, mas a aterrisagem ainda assim pode ser suave.


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