sexta-feira, 1 de março de 2019

ROCHAS E FRAGMENTOS

Por Patrícia Leite


























Tenho por hábito me recolher e descer as entranhas da terra. Nesses momentos, no mais absoluto silêncio e ausência de luz, mergulho em meu próprio interior e me eviscero para "OUVIR" Deus.

Sim, é no silêncio absoluto que faço banhos terapêuticos, lanço-me sobre lençóis freáticos e banho-me para além da carne. Uma jornada ousada que, ao mesmo tempo em que me esgota o corpo, me propicia alegria de viver.

Cavernar é sobretudo um estar despido diante do criador... 

A minha entrega, ao estar por lá, é um estar em contato íntimo com toda a minha unimultiplicidade, como diria a cantora Ana Carolina.

O silêncio  aumenta o som das vozes que gritam dentro e em torno de mim e é na surdez para o mundo que tomo pé e consciência dos valores que ressignificam a minha existência.

O subsolo do mundo é também convite e lembrança, pois que me faz sentir ainda mais a necessidade e o calor de estar sob a luz. 

É nessa escuridão que as categorias mais importantes do amor incondicional fazem fluxo e me levam a um passeio com o Divino.

Nesse fragmento temporal, distante e deslocada do conforto, me encontro e  viajo calmamente rumo ao que realmente sou e me redescubro e me relembro. E percebo que o resto é apenas fantasia, purpurina de carnaval.



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