
Tenho por hábito me recolher e descer as entranhas da terra. Nesses momentos, no mais absoluto silêncio e ausência de luz, mergulho em meu próprio interior e me eviscero para "OUVIR" Deus.
Sim, é no silêncio absoluto que faço banhos terapêuticos, lanço-me sobre lençóis freáticos e banho-me para além da carne. Uma jornada ousada que, ao mesmo tempo em que me esgota o corpo, me propicia alegria de viver.
Cavernar é sobretudo um estar despido diante do criador...
A minha entrega, ao estar por lá, é um estar em contato íntimo com toda a minha unimultiplicidade, como diria a cantora Ana Carolina.
O silêncio aumenta o som das vozes que gritam dentro e em torno de mim e é na surdez para o mundo que tomo pé e consciência dos valores que ressignificam a minha existência.
O subsolo do mundo é também convite e lembrança, pois que me faz sentir ainda mais a necessidade e o calor de estar sob a luz.
É nessa escuridão que as categorias mais importantes do amor incondicional fazem fluxo e me levam a um passeio com o Divino.
Nesse fragmento temporal, distante e deslocada do conforto, me encontro e viajo calmamente rumo ao que realmente sou e me redescubro e me relembro. E percebo que o resto é apenas fantasia, purpurina de carnaval.

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