Por Patrícia Leite
Eles
caçavam, pescavam e garantiam a sobrevivência com o que viesse da
natureza. Corriam livres e sem roupa e não sabiam o que era sentir
vergonha da própria nudez.
Também tinham o dom de entoar conversas
em uma língua que mais parecia um canto.
E sempre seguiram rituais e
brincadeiras quase infantis.
Curiosamente
faziam cerimônias de consultas aos animais da floresta e aos seus
antepassados. Conversavam longamente com os chamados velhos
espíritos e diziam ser intuídos por essa gente que já partiu.
E
assim traziam do mundo “sobrenatural”, do mundo de lá, segredos,
novos ritos e remédios. Praticavam suas curas com ervas, talos,
folhas... Uma verdadeira pajelança.
E pra quem quem não sabe o que
é isso, faço uma pausa nessa prosa e explico: pajelança é um
ritual de cura realizado pelo líder espiritual e curandeiro da
aldeia.
Quem
eram eles? Eles eram, para simplificar a conversa, um povo feliz com
suas características e tradições. Mas um povo que foi forçado a
“embranquecer...”
E
quem é essa gente de quem falo? Nativos? Aborígenes? Indígenas?
Qualquer uma dessas palavras os aprisiona, lhes tira o bem maior...
Porque liberdade é sempre o nosso maior bem.
A
expressão aborígenes, nativos, ou índios, por definição, é a
forma com que fazemos referência às populações que vivem numa
determinada área antes da sua colonização ou, ainda, uma forma de
nos referirmos a um povo que, após a colonização, não se
identifica com o povo que os coloniza.
Desta
forma, povo indígena, ao pé da letra, no sentido literal quer dizer
"originário de determinado país, região ou localidade.
E
apenas isso? Uma definição que não os define!? Depois de
colonizados que direitos têm os índios? Como garantir que sua
língua e seus costumes não desapareçam?
Com
essas questões em mente, em 1940, foi realizado, no México, o I
Congresso Indigenista, onde foram discutidos temas referentes à
qualidade de vida dos índios.
E, para dizer o mínimo, isso balançou
com a cabeça de muitos governantes.
Três
anos depois, no Brasil, Getúlio Vargas, que era o presidente do país
na época, decretou que em todo dia 19 de abril seria comemorado o
dia do Índio. E isso demarcaria uma nova forma de ver, pensar e
tratar as questões que iriam garantir aos índios suas terras, sua
cultura e suas tradições.
Setenta
e quatro anos depois, os indígenas ainda lutam para assegurar às
gerações futuras seus territórios ancestrais e sua identidade
étnica e cultural. Lutam para que seu povo não desapareça e para
que o dia 19 de abril não seja apenas uma data em sua homenagem.
Veiculado na Radio Nacional: http://radioagencianacional.ebc.com.br/geral/audio/2017-04/historia-hoje-ha-74-anos-getulio-vargas-decretou-19-de-abril-como-o-dia-do-indio
Veiculado na Radio Nacional: http://radioagencianacional.ebc.com.br/geral/audio/2017-04/historia-hoje-ha-74-anos-getulio-vargas-decretou-19-de-abril-como-o-dia-do-indio

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